Nossos 67 dias…
Quando te vi, senti que já te conhecia, isso é algo além de qualquer clichê contado por aí. Com você me senti em casa desde o primeiro dia em que toquei suas mãos.
Lembro exatamente cada detalhe, era um dia ensolarado, estávamos em frente á uma floricultura conversando sobre os arranjos de flores na vitrine. Quando sem perceber, suas mãos foram em direção as minhas, enquanto eu olhava fixamente os girassóis na porta de entrada. Meu corpo aqueceu quando me deparei com você mais perto de mim, e a sua mão na minha, me dei conta e quando virei, você estava sorrindo. Não parava de olhar no fundo dos meus olhos. Não parei de te olhar também, ficava dividida entre olhar seus olhos e seu sorriso.
Tocar suas mãos, foi como um choque. Não no sentido ruim, e sim, porque como segurar as mãos de alguém naquele momento parecia ser tão grandioso? Até hoje não sei. Prefiro dizer que foi mágica. Ou, que é um sentimento que todo mundo vai sentir algum dia, de repente. Parecia que naqueles segundos só existia nós. O tempo estava paralisado. Apenas nós, e a nossa existência.
Peguei sua outra mão e envolvi pela minha cintura, enquanto me aproximava cada vez mais de você. Senti sua respiração, sem perceber, lá estava com a cabeça em seu peito, ouvindo as batidas aceleradas do seu coração e suspirando bem baixinho ao mesmo tempo. Foi ali que encontrei o amor.
O amor foi tão fácil de aproximar-se de nós dois naquele dia,
Jamais imaginei que a partida também seria assim, tão fácil. Num dia qualquer, sem aviso prévio.
Dois anos depois, e ironicamente, num dia ensolarado. Te vi partir da forma mais cruel que poderia existir.
No mesmo lugar, que nos sentimos conectados, que sentimos o amor entre nós pela primeira vez.
Sim, o amor começou e terminou no mesmo lugar. Do mesmo jeito, sem aviso. O lugar que foi sorrisos, também me fez chorar.
Você chegou me trazendo um girassol, e uma cartinha. Estávamos com o corpo longe um do outro, e eu já sabia que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde, e tinha que acontecer. Não tinha porque relutar. Mas, não sabia que deveria ser naquele dia, naquele mesmo lugar. Ironicamente, nos encontramos antes do local que havíamos marcado. A praça que íamos nos encontrar era logo ali na esquina, mas, o vi de costas na floricultura e fui até lá.
Olhou-me surpreso, enquanto falava sem jeito e me entregava o girassol.
Segurou minhas mãos, sem me dar conta. Só que dessa vez foi diferente, já não sentia nada.
Naquela tarde ensolarada te vi partir, mas, não tinha me dado conta que você já havia partido de mim para sempre.
Não existia mais rastros seus no meu coração, a sua voz não era mais o tom suave que procurava para me acalmar.
Você era só você, você era só uma lembrança em formato de amor ali na minha frente. Você foi uma parte da minha vida, uma página virada dali em diante.
E eu, eu percebi tudo isso naquele momento. Minha mente saiu do corpo e começou a vagar.
Paralisei. O tempo paralisou novamente, mas, não como antes.
Dia após dia você estava partindo, o seu amor esvaía da minha mente e do meu coração.
Foram 67 dias incontáveis até a sua partida de verdade.
Quando me dei conta, você percebeu que eu estava paralisada, e notei que você me observava.
Meu amor já tinha ido embora, antes mesmo de tomar aquela decisão. E só percebi depois, naquele momento, depois de 67 dias.
Vi você me observar e me aproximei dizendo:
— Queria ter mudado o rumo das coisas, queria voltar à 67 dias atrás e fazer tudo diferente. Você me perdeu nos pequenos detalhes, te perdi nos pequenos detalhes. Tudo se perdeu nos pequenos detalhes. – Cabisbaixo, ele apenas me olhou enquanto lágrimas caiam.
Permanecemos ali, até dizer:
— Sim, nos perdemos em 67 dias em pequenos detalhes. Mas, não é o fim. Eu sei disso. Você também.
Ele segurou minhas mãos fortemente e continuou:
— Me prometa uma coisa, volte aqui nesse mesmo lugar daqui 67 dias. Não me pergunte nada, apenas volte.
Aquilo me trouxe alívio de alguma forma e indaguei:
— Voltarei daqui a 67 dias, apenas volte também. Até!
— Até!
E a partir dali, caminhamos em direções opostas.
E foi assim que tudo acabou naquele dia.
Até daqui 67 dias, adeus.
Não sabemos o final.

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